Cardio Gene

Testes cardiogenéticos que ajudam a determinar a dose certa do Clopidogrel começam a ser produzidos no país e ficam mais acessíveis

Variações na atividade da enzima CYP2C9, responsável pela metabolização do fármaco, faz com que o produto não seja absorvido de forma regular por 30% dos mais de 400 mil pacientes que utilizam o produto no país

 

O Clopidogrel é um dos principais casos de sucesso do mercado de medicamentos genéricos. Desde que o produto referência, o Plavix (Sanofi), perdeu sua patente, em 2006, o consumo do medicamento em volume cresceu 565% em 10 anos, de acordo com os dados IMS Health, instituto que audita as vendas do setor farmacêutico.

Indicado para prevenir a formação de coágulos em pacientes que tiveram Infarto do Miocárdio ou Acidente Vascular Cerebral recente, é um dos principais produtos em vendas de sua classe terapêutica. No ano passado, foram comercializadas 4.901.504 milhões de unidades de Clopidogrel (caixinhas). Por ser tomado em uma dose diária, é possível aferir que 408.458 mil pacientes fizeram uso do produto em 2016 no país.

O problema é que aproximadamente 30% destes pacientes estão correndo sérios riscos por conta de variações na atividade da enzima CYP2C9, responsável pela metabolização do medicamento. Quando ela ocorre de forma lenta, pode causar trombose nas artérias coronarianas, derrames e até a morte do paciente. Se a metabolização é muita rápida, o risco é de sangramentos.

As primeiras informações que deram conta deste desvio de padrão no funcionamento do produto saíram de um estudo de metanálise publicado pelo jornal da Associação Médica Americana (JAMA) em 2010, contabilizando nove pesquisas independentes com 10 mil pacientes analisados.

Desde então, o FDA, órgão responsável pela vigilância sanitária nos Estados Unidos, determina que a bula desse tipo de medicamento deve orientar os médicos a recomendarem testes cardiogenéticos aos pacientes que precisam utilizar o medicamento. O cardiogenético é um teste farmacogenético que analisa a resposta das pessoas aos medicamentos, ao detectar a existência ou não de variações e quais são elas, se existirem, garantindo, assim, tratamento eficaz. A mudança foi incorporada como nova diretriz pela sociedade americana de cardiologia.

No caso dos pacientes com metabolização lenta, os estudos comprovaram que há absorção em média 32,4% menor do Clopidogrel apresentando risco aumentado de 53% de morte por eventos cardiovasculares e aumento de 3 vezes no risco de trombose para pacientes com stent. Há também aumento considerável nos efeitos colaterais causados pela droga. Por outro lado, pacientes com metabolização ultrarrápida correm sérios riscos de sangramento após 30 dias de utilização do produto.

Outro estudo, o Triton Timi 38, de 2009, randomizou 13.608 pacientes divididos entre os que receberam o Clopidogrel e o Prasugrel, constatando que o segundo medicamento reduz significativamente o número de eventos isquêmicos cardiovasculares. Dado o alto custo de Prasugrel em relação ao Clopidogrel, a realização do teste cardiogenético é recomendada nos Estados Unidos para triagem dos pacientes que utilizar o produto.

 

Cenário

Enquanto quase 100% dos médicos americanos recomendam o teste como forma de se precaver contra eventuais ações de indenização em caso de problemas futuros, no Brasil o teste ainda é pouco indicado. “Pelo fato de até então serem importados, eram pouco acessíveis para a maioria absoluta dos pacientes”, explica o médico Mario Grieco, CEO do Life Grupo, a primeira empresa nacional a realizar esse procedimento no Brasil por meio da Life Diagnósticos, sua unidade de negócio especializada em Medicina Personalizada.

Grieco, que tem longa trajetória na indústria farmacêutica, tendo sido presidente da Bristol-Myers Squibb, entre outras multinacionais, estima que menos de 5% dos 408.458 mil pacientes tenham realizado o procedimento no Brasil. “Especialistas da Faculdade de Medicina da USP e do Incor, os médicos Elias Ascer e Luís Antônio Machado César, já conduziram estudos clínicos comprovando a necessidade dos testes para prevenção de riscos em pacientes que utilizam o medicamento, mas o acesso ao procedimento sempre foi restrito”, observa.

Nos EUA, o teste faz parte faz parte do protocolo de atendimento de clínicas e hospitais, pontua Grieco. “Apesar de conseguirmos realizar o teste no Brasil por um preço bem mais acessível do que o oferecido pelas importadoras, boa parte da população ainda sofre com o fato de que não é coberto pelo SUS e não está no Rol de Procedimentos da ANS, ou seja, também não é coberto pela maioria dos planos de saúde. Trata-se de uma pauta relevante do ponto de vista de saúde pública, considerando o número de pessoas que utilizam esse medicamento”, analisa Grieco.

Os testes oferecidos pela Life Diagnósticos custarão aproximadamente R$ 500 e poderão ser sugeridos pelos próprios médicos aos seus pacientes. Com objetivo de informar os profissionais sobre a oferta dos testes “nacionalizados”, a empresa inicia em março uma forte campanha voltada para cardiologistas. “O valor do teste, considerando que é feito uma vez apenas, é bastante razoável. Porém, o mais importante é que ele salva vidas”, argumenta Grieco.

 

Sobre a Life Grupo

Fundado em 2013 por Mario Grieco, o Grupo tem um modelo de negócio inovador ao atuar em diversos segmentos oferecendo um portfólio extenso de produtos e serviços voltados para a área da saúde. Esse modelo é fruto do espírito empreendedor e da experiência de seu fundador, que atuou por mais de 30 anos na indústria farmacêutica, liderando equipes e empresas de grande porte. A Life Grupo já recebeu mais de R$ 30 milhões em investimentos desde a sua fundação, alcançou o break-even-point e tem mostrado expressivos índices de crescimento nas receitas, que devem subir em torno de 30% este ano. Em 2016, cresceram 20%.

O Grupo é formado por unidades de negócios e duas empresas. São unidades a Life Diagnósticos, divisão especializada em Medicina Personalizada que abriga um laboratório de testes genéticos e farmacogenéticos, além de fornecer produtos e serviços de alta tecnologia para prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças; a Life Farmacêutica, especializada em desenvolvimento, lançamento e promoção de medicamentos; a Life Publicidade, especializada no desenvolvimento de campanhas publicitárias para o setor de saúde; a Life Distribuidora, especializada na promoção e vendas de produtos farmacêuticos; e a clínica de reprodução humana Chedid Grieco, que possui um avançado laboratório genético.

As empresas que completam o Grupo são a Vida, especializada na importação e distribuição de cosméticos, e a Saúde, especializada na importação e distribuição de máquinas e equipamentos médico-hospitalares. O Life Grupo também mantém uma filial em Miami (EUA) para apoiar as atividades da empresa no Brasil.

 

Informações para a imprensa:

Vital Agência

Fábio Pimentel – fabio.pimentel@vitalagencia.com – 11 9 3806 0617

Iolanda Nascimento – iolanda.nascimento@vitalagencia.com – 11 9 3800 5890

 

 

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