Publicações do fundador.

Heróis anônimos da saúde*

Principal canal de dispensação de medicamentos no Brasil, as farmácias são fundamentais para o sucesso dos tratamentos prescritos aos pacientes por seus médicos. São também essenciais nas indicações para quem precisa de medicamentos isentos de prescrição, aqueles indicados para problemas de saúde menores que não requeiram uma consulta médica, como resfriados e cólicas menstruais corriqueiras. Toda essa importância é elevada exponencialmente diante da precariedade da infraestrutura da rede de saúde pública brasileira, que chega a ser inexistente em muitas cidades pequenas. Nas regiões mais longínquas dos centros urbanos, as farmácias muitas vezes são o único elo das populações locais com algum atendimento na área da saúde.

Mas uma farmácia não é nada sem pessoas atrás do balcão, especialmente os balconistas, os que geralmente estão na linha de frente e são o “cartão de visitas” de todo estabelecimento que preze por ter um atendimento eficiente. Diferentemente de muitos outros setores nos quais os balconistas também são peças-chave para a excelência no relacionamento entre empresa e cliente, no varejo farmacêutico eles vão além disso: podem amenizar e até curar, e com muito conhecimento especializado e peculiar ao exercício dessa função, as mais variadas dores que acometem os seres humanos.

Esses heróis anônimos da saúde fazem isso de diversas maneiras. A primeira, irritante e engraçada ao mesmo tempo, é decifrando as receitas médicas. Sou médico e digo isso com propriedade. É preciso muito conhecimento para entender o que boa parte da classe médica prescreve. Além de descobrir o nome do medicamento indicado, eles também auxiliam a decifrar qual a dosagem e o intervalo de tempo em que cada uma deve ser ministrada. Na seara dos isentos de prescrição, são eles que dão as orientações inestimáveis das melhores soluções para cada problema apresentado por aqueles que sofrem alguma dor.

Também são eles que auxiliam quem simplesmente quer um complexo vitamínico a fim de melhorar a imunidade, um shampoo ou um creme antirrugas. Quase 40% dos produtos comercializados em farmácias não são medicamentos e sim produtos de beleza e higiene pessoal, entre os principais; itens também fundamentais para o bem-estar físico, emocional e mental do ser humano.

Não se sabe ao certo o número de profissionais empregados atrás dos balcões das mais de 74.000 mil farmácias em operação no Brasil. Mas eles são tão importantes para os brasileiros que as indústrias farmacêuticas e fabricantes de produtos destinados à higiene e bem-estar os consideram vitais para o bom desenvolvimento de seus negócios. Assim como os laboratórios investem muito em representantes que divulgam seus medicamentos para médicos, destinam muitos recursos para que força de vendas idêntica visite cada farmácia brasileira a fim de levar as mesmas informações a farmacêuticos e balconistas.  É no ponto de venda que as indústrias verificam ainda se as suas estratégias comerciais estão dando resultados ou não, se há demanda por seus produtos e se a distribuição e estoques estão afinados com as necessidades da população.

Após mais de 30 anos atuando na indústria farmacêutica no Brasil e nos Estados Unidos, posso afirmar sem medo de errar que toda a tecnologia disponível hoje não substitui o sucesso obtido por qualquer laboratório no dia a dia do relacionamento com os profissionais das farmácias, bem como nenhuma consulta ao “Dr. Google”, essa recente moda da população de se informar nos sites de busca sobre os problemas de saúde, que tem vantagens e desvantagens – mais isso é assunto pra outro momento –, substituirá a relação do balconista com cada cidadão que precisa de seus cuidados dentro de uma farmácia.

*Artigo publicado na edição de outubro de 2017 da revista ABCFARMA – http://www.abcfarma.org.br/ 

Medicina Personalizada e eficácia dos medicamentos

Quem nunca ouviu a frase “esse medicamento não funciona pra mim”? Creio que todo mundo e no campo da Medicina, acredite, ouve-se com uma constância preocupante. Afinal, muitas vidas dependem de medicamentos. E eles não fazem efeito em cerca de um terço dos pacientes, conforme comprovam várias pesquisas. Quando falamos de doenças crônicas e incuráveis, esse dado preocupa ainda mais.

Por que um medicamento não funciona? Cada paciente é único, com seu próprio DNA, não existem dois pacientes com a mesma identidade genética. Essa é a principal razão porque nem todos os pacientes respondem da mesma maneira ao tratamento padrão, desenvolvido pela indústria farmacêutica e baseado na média de respostas da população aos medicamentos.

O conceito de que “uma mesma dose serve para todos” é completamente errado. Daí a importância da Medicina Personalizada, onde cada paciente recebe terapia baseada no seu perfil genético, ou seja, o tratamento é individualizado. Isso tem se tornado cada vez mais possível por causa da farmacogenômica, que estuda como as variações genéticas afetam a resposta das pessoas aos medicamentos.

A grande maioria dos medicamentos é metabolizada no fígado. O mecanismo primário da metabolização hepática é o sistema enzimático do citocromo P450, responsável pelo efeito no organismo de mais de 80% dos medicamentos mais utilizados atualmente. O teste farmacogenético avalia as enzimas hepáticas, determinando a sensibilidade de cada paciente aos diferentes tipos de medicamentos. O teste diz como o paciente vai responder, evitando assim toxicidade, por acumulo da substância no organismo, ou falta de eficácia, situações que colocam a vida em sério risco.

Todas as enzimas, incluindo as enzimas da família do Citocromo P450, são produzidas por genes específicos. O gene contém o código do DNA para a construção da enzima. É comum uma enzima sofrer alteração. Isso é causado pela troca de um nucleotídeo do código. Essa alteração é chamada de SNP (Single Nucleotideo Polimorfismo). Um gene (também chamado de alelo) com um SNP é chamado de gene variante ou alelo variante.

Muitas pessoas possuem um gene variante que afeta a função de uma ou mais enzimas que metabolizam medicamentos. A maioria das variantes causa perda de função enzimática. Pacientes que possuem genes variantes são metabolizadores lentos ou intermediários ou ultrarrápidos. As pessoas que metabolizam as substâncias muito rapidamente apresentam perda quase total de eficácia do medicamento. Já as que metabolizam lentamente acumulam a substância na corrente sanguínea, causando reações adversas que podem até levar a morte. Nos intermediários, a eficácia também está comprometida.

Pacientes tratados com vários medicamentos ao mesmo tempo também possuem um risco elevado de reações adversas e apresentam chances maiores de uma ou mais substâncias não serem metabolizadas corretamente. Aproximadamente 5% das pessoas que sofrem reações adversas morrem em decorrência do problema, sendo que 49,5% das mortes e 61% das internações são observadas em pessoas com mais de 60 anos, exatamente a faixa etária em que é mais comum o uso de vários medicamentos simultaneamente.

Qualquer paciente pode se beneficiar do teste farmacogenético. Assim como o conhecimento do tipo sanguíneo pode salvar vidas, o conhecimento genético pode ser crucial em uma emergência. Ele deve ser absolutamente indicado para pacientes com câncer, alterações psiquiátricas, alterações de coagulação, e outras condições onde a estratégia de “tentativa e erro” seja de alto risco.

Vejamos o caso do clopidogrel (Plavix), por exemplo, um dos medicamentos mais indicados para prevenir a formação de coágulos, que causam infartos e derrames. Essa substância faz parte da categoria chamada de pró-fármaco, ou pró-droga, isto é, de medicamentos que são administrados na forma inativa. Para ser ativada no organismo, a substância precisa do perfeito funcionamento das enzimas, que farão esse papel para que o medicamento faça efeito.

Esse problema é tão sério que o FDA (Food and Drug Administration), agência norte-americana que regula o setor de medicamentos, reconhece os efeitos das variações genéticas e desde março de 2010 exige que as bulas de clopidogrel contenham mensagem de cuidado a respeito de sua eficácia em pacientes com variantes.

Cabe ressaltar aqui que, além de salvar vidas, os testes farmacogenéticos são realizados somente uma vez na vida e ajudam a individualizar qualquer tipo de tratamento com medicamentos, evitando reações adversas e maximizando a eficácia.

 

 

Medicina Personalizada: o futuro cada vez mais presente

 

Assim como muitos médicos e executivos das empresas especializadas em saúde, costumo dizer que a Medicina Personalizada é a Medicina do futuro. Ela está lá adiante por vários aspectos, que trataremos a seguir, mas também já está bastante disponível para os pacientes do presente. É crescente o rol de exames de diagnóstico, medicamentos, procedimentos e um enorme aparato de produtos e serviços já disponíveis para atender diversas necessidades humanas individualmente, de acordo com a formação genética de um.

Cabe ressaltar, antes de prosseguir, que Medicina Personalizada é aquela que não se orienta pela média. Até a revolução genômica, decorrente do sequenciamento completo do genoma humano, cientistas e médicos estavam mais preocupados em descobrir soluções para a esmagadora maioria dos problemas baseados na resposta média da população. Não consideravam as variantes individuais que influenciam de sobremaneira a propensão de cada um a doenças, bem como a resposta a tratamentos.

A Medicina Personalizada considera cada pessoa única e a trata como tal, ao analisar o seu código genético, também único, uma vez que todo ser humano tem uma identidade genética própria, que não se iguala a de nenhum outro. Nessa investigação do DNA de cada um, é possível detectar o grau de risco de predisposição a doenças, fundamental na esfera da prevenção; e fazer diagnóstico precoce, o que possibilita tratamentos mais rápidos e economia de recursos públicos ou privados nesse processo. Melhor, garante qualidade de vida aos pacientes.

É possível, ainda, confirmar diagnósticos com precisão; e determinar o medicamento certo e na dose certa individualmente, a partir dos avanços da farmacogenômica, a seara que cuida da terapia medicamentosa personalizada.  A crescente variedade de instrumentos que possibilitam a prática da Medicina Personalizada é resultado de muito investimento, sem o qual não se avança em área alguma, também crescente no setor.

Somente na área de biotecnologia, esse elo fundamental da Medicina Personalizada do futuro e que já é bastante presente também, um estudo da Tufts University, de Boston (EUA), mostra que os investimentos nessa área aumentaram quase 90%, num prazo de cinco anos, entre 2010 e 2015. A pesquisa foi realizada com 16 empresas que atuam com biofármacos e buscam forte posicionamento em farmacogenômica.

São as maiores desse mercado e respondem por parcela significativa, mas o estudo não contempla o cenário completo, o que nos dá a certeza de que os investimentos são muito maiores. Nessa conta não estão, por exemplo, os aportes das empresas de diagnósticos, sejam fabricantes de equipamentos ou prestadoras de serviços de exames laboratoriais. Essas também investem cada vez mais em pesquisa e desenvolvimento com foco na Medicina Personalizada porque a demanda é crescente. É essa procura maior que torna as novas tecnologias cada vez mais acessíveis – regra em qualquer mercado.

O setor de produtos biotecnológicos movimenta mais de US$ 160 bilhões no mundo. No Brasil, em torno de US$ 6 bilhões. E tem avançado significativamente em participação no total do bolo do setor farmacêutico, de mais de US$ 1 trilhão em vendas de medicamentos anuais, em âmbito mundial. Ganha participação e tende a ganhar ainda mais porque é eficaz.

Quando se descobriu mais sobre o genoma humano e a possibilidade de personalizar tratamentos, investiu-se muito em pesquisas especialmente para tratar alguns tipos de câncer e a ciência evoluiu substancialmente nessa área, com as terapias-alvo, que praticamente já dominam esse setor.

A comprovação dos bons resultados dados a cada passo no tratamento de câncer colocou mais empresas e mais cientistas para trabalhar na busca por resultados tão eficientes no combate a outras doenças, que também castigam muito o ser humano e as finanças públicas. Hoje, a Medicina já é bastante personalizada também na neuropsiquiatria, cardiologia, doenças do sistema imunológico, metabólicas, infecciosas e inflamatórias.

Ela é do futuro porque há muito que se investir ainda para abranger o extenso leque de velhos e novos problemas que surgem a cada dia e afetam o ser humano. Há muito o quê se fazer ainda para barateá-la e tornar o que já existe mais acessível. Mas o que já está desenvolvido também não está mais tão caro, como provam os diversos laboratórios especializados em testes genéticos a preços mais populares que vêm sendo criados anualmente no Brasil. Há poucos anos, eles não existiam e muitos testes na área genética só eram realizados em laboratórios no exterior.

 

De olho nas ciladas da carreira

Sucesso na carreira empresarial está diretamente ligado à liderança e os riscos que você está disposto a correr. Porque se você não ocupar o seu espaço, alguém o fará e, por favor, não caía no ridículo de fazer fofoca sobre a competência alheia. A questão, para os jovens gerentes, é saber consolidar-se na posição de líder, o que pressupõe assumi-la perante o grupo sem qualquer tipo de imposição.

Falo tanto da liderança informal, de fácil percepção, quanto àquela do cargo e do cartão de visitas. Ah, e isto ocorre assim, nas coisas mais simples e banais na vida da empresa.

Nas organizações com foco bem ajustado, o ritmo dos negócios e a diversidade de desafios e opiniões entre as equipes dispensam o executivo que se sobressai mais do que a empresa que ajuda a dirigir. Aquele tipo (sim, sei que você conhece alguns) que coloca cereja no projeto do grupo como se fosse seu e o alardeia, precisa saber que este é um filme com final ruim. Para a carreira e para a própria vida.

A moderna conduta empresarial dispensa os medalhões. O famoso “deixa que eu chuto” não está com nada. Pode até ganhar uma promoção, mas perde o respeito. O mesmo que lhe será fundamental nos postos chaves que virão pela frente. Prevalecem, isto sim, aqueles cuja conduta está sustentada em fundamentos de base, tais como ser inovador, assumir riscos, demonstrar sentimentos, ter atitude e saber ser cooperativo. Para todos os casos, a predominância da ética é essencial.

Estes ensinamentos não estão nas escolas formais. São instrumentos de um processo de carreira permanente e vigilante, com a participação elementar dos líderes diante de suas equipes. Liderança que não se confunde com autoridade, força e rigidez.

O mais importante, porém, é ter ciência de que é preciso preparar-se muito para assumir qualquer posição de liderança e continuar nessa busca de informação e autoformação ao longo da vida profissional. Ter consistência e saber que ter visibilidade é muito bom para qualquer gerente. Mas esse é apenas o primeiro passo de uma trilha longa, acidentada e cheia de surpresas em direção aos postos mais importantes da empresa.

Pode-se até errar numa promoção, já que faz parte das apostas feitas nos que se mostram talentosos. Mas mexe com o clima interno, com a produtividade, e tem efeitos devastadores para o discurso interno da companhia, podendo levá-la a diversos tipos de prejuízos, inclusive o prejuízo moral.

Noto muitas vezes uma mudança nítida de comportamento de alguns profissionais quando são identificados como potenciais líderes empresariais, caindo nas velhas e manjadas armadilhas corporativas. Exibem auto-suficiência, substituem análises críticas por palpites certeiros, criam distanciamento, acreditam-se infalíveis…e morrem prematuramente. Esquecem-se da premissa que diz que ser um ótimo gerente não significa necessariamente tornar-se um CEO, um líder de fato.

Algumas dicas para ser um bom CEO:

  1. Ser ético sempre;
  2. Desafiar-se diariamente;
  3. Agregar à imagem profissional uma boa desenvoltura social;
  4. Saber diferenciar hierarquia de respeito;
  5. Trabalhar com bom humor;
  6. Ter atitude positiva porém lúcida;
  7. Liderar e ajustar-se aos liderados;
  8. Ouvir muito, ler muito, pesquisar sempre;
  9. Respeitar as individualidades;
  10. Espelhar-se em vencedores.

Liderança Zen

Imagine uma liderança em que o líder não precisa necessariamente estar presente. Uma liderança que desenvolve e envolve de tal forma os colaboradores que a presença física do líder passa a ser apenas um detalhe.

Difícil imaginar? Talvez num primeiro momento. Mas atingir esse tipo de liderança é praticamente o mesmo que atingir o estado de iluminado que visa a filosofia oriental.

O grande segredo está na gestão de pessoas, no modelo de atuação através do qual  o líder desperta talentos, contribui, delega, incentiva e, mais do que isso: de fato ama seus colaboradores. Sim, estou falando sobre manter por sua equipe um sentimento de amor genuíno, incondicional, um amor semelhante àquele que os pais tecem por seus filhos. Um amor que se preocupa, que educa, que constrói.

Quando o líder ama seus colaboradores (e aqui vale ressaltar a diferença enorme entre defini-los assim do que como funcionários: funcionários apenas desenvolvem funções enquanto colaboradores participam do processo), irá sempre procurar e tentar proporcionar o melhor para eles. Visará desenvolvê-los, descobrir qual a característica pessoal e profissional mais valiosa de cada um. Terá como objetivo maior criar-lhes condições para que atinjam o máximo de suas potencialidades.

Falo de uma liderança zen, que tem uma forte visão e embasamento humanístico e está sustentada numa relação de absoluto respeito, dedicação, lealdade e confiança mútua. Nesse modelo inovador de gestão, o líder desenvolve a criatividade e o compromisso de seus colaboradores a fim de que os objetivos pessoas e de negócios da companhia sejam alcançados.

Trata-se de uma cultura onde o trabalho está além das fronteiras organizacionais, funcionais e geográficas. Uma cultura que cria estímulo, entusiasmo, que encoraja a melhoria contínua, a inovação e a disposição para arriscar. Todos sentem-se motivados e energizados. E automaticamente colaboram – o que representa aquele reforço extra que, muitas vezes, faz tremenda diferença. Todos lutam juntos e celebram os resultados atingidos.

Como não existe a figura soberana de um presidente, todos assumem essa posição dentro da companhia – passam a ter um objetivo comum, compartilham a mesma visão estratégica e trabalham por uma única missão. Lideram seus processos e buscam os melhores resultados.

O líder zen ouve, respeita, gera alternativas, alinha metas, orienta, esclarece, aceita erros. É aquele que lidera através de exemplos – como ética, transparência e solidariedade. Talvez um dos maiores líderes zen tenha sido Jesus Cristo, que nunca escreveu um livro, não ensinou através de seminários nem mesmo criou um detalhado esboço para que seus discípulos pudessem seguir. Mais de dois mil anos já se passaram e, mesmo assim, seus seguidores somam mais de um bilhão…

Mas como medir os impactos desse tipo de liderança? Através dos bons resultados de negócios que certamente são alcançados. E, também, do melhor clima organizacional que se instala na companhia – gerando um ambiente de confiança, empenho, compromisso, colaboração e participação.

Treinamento constante e aperfeiçoamento dos colaboradores integram a relação de comportamentos-chave que devem ser adotados para que esse modelo de gestão gere bons frutos e a companhia tenha, de fato, uma equipe coesa, participativa e de sucesso. Para que tenha bons líderes. Isso porque auto-confiança só pode ser alavancada com muito treinamento. É o que leva pessoas a inovarem, arriscarem e atingirem as metas estabelecidas.

Creio que aí está a verdadeira liderança. Aquela que cria um cenário em que os colaboradores atingem tamanho grau de desenvolvimento que a companhia já não depende da presença física de um único executivo para continuar se desenvolvendo. Todos assumem como líderes. E brindam o sucesso no final.

Impossível? Não! Estou falando de uma prática totalmente alcançável, desde que se acredite nisso e crie-se mecanismos e condutas para chegar até aí.

Você presidente de sua vida e de sua carreira

A cada dia, aumenta a incidência de pessoas que se comportam meramente como empregados. Falo daqueles que se resumem a cumprir ordens, que trabalham (e preferem mesmo que seja assim) em tarefas rotineiras, e consideram um dia de trabalho apenas como “mais um dia de trabalho”. Para eles, pouco pode ser mudado… Não se arriscam, sua cor preferida é o cinza e já chegam no trabalho não vendo a hora de irem embora.

Esquecem-se, entretanto, que sucesso depende de se destacar na multidão, de fazer coisas diferentes e ter paixão pelo que se faz. Depende de assumir uma posição de comando de sua própria vida e de sua carreira. O que, na prática, implica em investir em si mesmo e em seu desenvolvimento profissional.

Uma coisa precisa ser considerada: é muito arriscado deixar para seu chefe decidir seu futuro na empresa. Afinal, o maior interessado pelo seu sucesso tem de ser você.

É fundamental procurar oportunidades, preparar-se e, acima de tudo, ser um grande otimista. Estão aí algumas características fundamentais das pessoas de sucesso.

Estou, na verdade, me referindo às pessoas que, ao receberem uma tarefa, importam-se mais com o que deve ser feito do que com que tipo de tarefa é. Porque, para elas, será sempre mais um projeto fantástico.

Falo de um perfil de funcionário que atua como colaborador. Que aproveita as oportunidades, todas, para fazer novos contatos, conhecer pessoas e, é claro, aprender com elas. Entre suas prioridades está o relacionamento pessoal e, portanto, atualizam constantemente sua lista de endereços com cada cartão de visitas recebido.

Adoram viver o momento intensamente.

Gostam da beleza, da graça. E da revolução. Dedicam-se ao trabalho e vivem pelos clientes. São alegres, gostam de brincar e de brincadeiras. Adoram cores vivas, e, estar em ação e constante movimento, é palavra de ordem.

Trabalham muito mas sabem combinar vida pessoal e profissional.

Não temem se arriscar e têm como lema “é melhor ter de pedir desculpas do que pedir licença para fazer algo”. A princípio, isso pode parecer sinal de imaturidade – já que, muitas vezes, contrariam as regras, pensam fora do quadrado, e até mesmo discutem com seus chefes.

Ledo engano. São justamente estas pessoas que fazem a diferença e agregam valor para a companhia, com alto grau de comprometimento, seriedade e profissionalismo.

Em vários estudos de gestão, confirmou-se que colaboradores com este perfil são exatamente os que mais atingem posições de liderança, em especial pela flexibilidade, capacidade criativa, trabalho em equipe e pelo espírito inovador que têm.

Além disso, elas sabem onde querem chegar. O que é um diferencial significativo. É preciso que as pessoas tenham claramente definido o cargo que visam ocupar lá na frente. Que já entrem na companhia querendo atingir seu objetivo. Assim, buscarão (e encontrarão) ferramentas e alternativas para se desenvolverem e alcançarem suas metas. E não pense que, para ascender dentro da empresa, seja necessário “puxar a cadeira” de alguém. Muito pelo contrário.

Embora saibamos que é sempre muito mais fácil atribuir culpas aos outros, cada um de nós é o único responsável pelo sucesso e também pelo fracasso obtido. Portanto, não culpe seu chefe por não ter sido promovido.

No mundo profissional, existem vários caminhos que podem seguidos. Uns mais longos, outros mais curtos. São poucos, entretanto, os que levam ao sucesso de fato. E, lembre-se: para alcançá-lo, ter ética é fundamental.

Portanto, se seu objetivo é ter uma carreira de sucesso, não hesite. Fuja de antigas máximas. Aja com dinamismo. Seja pró-ativo. Faça algo diferente todos os dias. Deixe fluir sua imaginação. Brinque. Aflore sua capacidade criativa. Lidere cada processo em que estiver envolvido. Comunique diretamente, sempre. Ouse. Arrisque. Invista em você. E faça isso no dia-a-dia – pessoal e profissional!

A difícil arte de liderar com humanidade

Imagine-se no seguinte pesadelo: você é o novo líder da companhia e, além de todas as metas relacionadas a melhorar o desempenho e registrar incremento nos negócios, você tem de dispensar cerca de 20% dos colaboradores. Não porque essas pessoas sejam incompetentes. Mas porque, se não fizer isso, o negócio pode acabar.

O pesadelo piora. Você terá de anunciar essa decisão a toda a equipe, falar frente a frente com eles e explicar-lhes os motivos que o levaram a seguir essa linha de atuação. E mais: terá de lidar com os receios dos outros tantos que continuarão na companhia.

Você deve estar se perguntando: por que se envolver numa situação delicada como esta? Por que não deixar para seus diretores e gerentes essa tarefa difícil?

A resposta é simples: ao tomar para si essa responsabilidade, você tem a grande oportunidade de liderar com humanidade, o que fará com que você ganhe a credibilidade de seus colaboradores – capital humano que constitui o que a empresa mais necessita para que o sucesso seja alcançado.

Liderança humana é aquela que tem respeito, sensibilidade e compaixão pelas pessoas. E que está disposta a sofrer até mesmo dolorosas conseqüências das decisões mais difíceis.

Vulnerável, sensitivo, reconhecedor de suas próprias fraquezas. Estas são sim qualidades de um grande líder humano. Sem citar aquelas que salientamos sempre como saber ouvir, respeitar, gerar alternativas, alinhar metas, orientar, esclarecer, aceitar erros.

Antes que vocês discordem desse estilo humanitário de liderança, quero reafirmar que estou falando de um modelo de gestão que, comprovadamente, é muito mais eficaz do que os que se assemelham a um comando “militar”, autoritário e controlador.

É fundamental que, ao assumir uma posição de liderança, você se lembre que é humano acima de tudo. Se você é sempre perfeito, não erra em nada, não se preocupa com os sentimentos de seus funcionários, ninguém irá querer trabalhar com você.

Na contrapartida, quando existe empatia entre o líder e seus colaboradores, cada um dá ao outro o que é necessário para que haja melhor desempenho pessoal, profissional e do negócio em si. Ganham todos.

Não tema em demonstrar que você é de “carne e osso”. Assim, seus colaboradores podem até discordar de seus pontos-de-vista, mas vão sempre respeitá-lo e apoiá-lo.

Muitas são as pessoas que, quando atingem um cargo de liderança, sofrem mudanças bruscas de personalidade e no modo de agir – alguns chegam até a apresentar sinais graves de distúrbios de comportamento. Porque acreditam que, para fazerem jus ao cargo, devem ser duros, inflexíveis em seus posicionamentos.

Há os que se consideram superiores aos demais – os reles mortais, segundo eles… – e sustentam a crença de que têm sempre razão, sabem de tudo e estão fadados ao sucesso incondicionalmente. São autocráticos, controladores, agem com impessoalidade e só sabem olhar as pessoas sob a ótica do trabalho e da hierarquia.

Estão, na verdade, muito mais sujeitos ao fracasso….

Deveriam ir na contramão deste método ultrapassado de gerir, preferindo a liderança humana, que capitaliza qualidades únicas como criatividade, imaginação e bom humor. Uma liderança baseada no bom senso, no valor que cada pessoa tem dentro e fora do ambiente profissional.  Dessa forma, o líder ganha colaboração, solidariedade e, o que é mais importante, a amizade de seus funcionários.

Sim. O líder também necessita de amigos.

O líder humano diferencia-se dos demais, em especial, porque sabe motivar seus colaboradores, a ponto de inspirar que eles se desenvolvam e se liberem. Que eles ajam proativamente.

Enquanto líder, você não tem que tomar todas as decisões, responder a todas as perguntas. O segredo do sucesso está justamente em proporcionar que seus colaboradores o façam. Porque, quando você entrega o poder de decisão, na verdade está encorajando a todos a serem mais responsáveis e comprometidos com o impacto de suas próprias decisões e com o sucesso que delas advém.

Tudo isso que estou falando pode parecer um pouco absurdo. Mas, creiam, não é! Experimente liderar com humanidade. Pois toda vez que você se colocar fora da posição de líder inflexível, estará desenvolvendo tamanha competência, iniciativa, confiança e responsabilidade entre seus colaboradores que eles serão capazes de operar a companhia mesmo sem sua presença e levá-la ao sucesso.

Não é isso que você quer e que o mundo dos negócios pede?

Sem medo de errar

Você teve uma grande ideia e, com muita persistência, convenceu seu chefe e seu time a implementá-la. Assumiu a responsabilidade pelo projeto, envolveu uma série de pessoas, ponderou, cuidou de todos os detalhes, mas, no final, saiu tudo errado. E agora?

Parabéns!

Não, não estou sendo irônico. Muito pelo contrário. Numa situação como esta, você, de fato, merece sinceros parabéns. Pela ideia que teve, pela iniciativa, espírito de liderança e pelo real interesse que demonstrou por fazer algo diferente. Em especial, merece ser parabenizado por ousar na tentativa de contribuir e agregar valor à companhia em que você trabalha.

Infelizmente, desta vez, as coisas não funcionaram da forma como você havia planejado. O que pode acontecer mesmo. No entanto, não tenho dúvidas de que, mesmo diante do insucesso, você aprendeu muito.

Ninguém é perfeito. E a única forma que temos de não errar é copiando ou repetindo algo que já foi realizado e consagrado no passado. Se por um lado esse é um caminho mais fácil – e é mesmo –, por outro, copiar ou repetir não leva um profissional a lugar algum, talvez apenas à estagnação de sua carreira.

Pessoas que criam algo diferente, que assumem riscos e se expõem têm uma oportunidade muito maior de aprender, contribuir com a organização e crescer com ela.

É verdade que um excelente currículo contribui para conseguir um bom emprego, mas não ajuda a mantê-lo. Além disso, consideremos que nem sempre a pessoa mais inteligente, com mais conhecimento, é a que faz a diferença, mas sim aqueles que não têm medo de errar – embora apenas menos de 1% das pessoas possui essa característica…

Idealize a seguinte situação: você está participando de uma reunião em que tudo está correndo bem, todos estão satisfeitos com o status quo e com os resultados da companhia. De repente, você enxerga uma oportunidade que necessita de uma ação imediata e diz: “Penso que devemos fazer tal coisa, por tal motivo e de tal maneira”.

Aí está um bom exemplo de abordagem pró-ativa, de atitude de um vencedor. Porque, ao tomar a decisão de levantar a questão, você está inovando, criando expectativas, gerando entusiasmo, saindo da mesmice, do lugar comum.

Sua visão pode ser absolutamente perfeita e você pode estar certo no que disse. Nesse caso, receberá todos os créditos e reconhecimentos – o que, não resta dúvida, é muito bom. Mas não é tudo. Porque não nos esqueçamos de que aplausos têm curta duração.

Se, em contrapartida, você estiver errado, tirará dessa experiência um profundo aprendizado, lições que durarão para o resto de sua vida. Porque, uma coisa é certa: aprendemos muito mais com os erros do que com os acertos.

Fazer tudo correto logo na primeira tentativa pode até lhe trazer um certo prestígio inicial, mas não ajuda a construir um conhecimento sólido, a ganhar experiência. Não lhe permitirá saber que etapas são realmente importantes e quais as que poderiam ser dispensadas. Já quando erramos, tudo se torna mais claro. Numa segunda vez, você certamente não repetirá o mesmo erro e sua atuação será muito mais eficiente.

Por volta de 1920, Walt Disney trabalhava como cartunista em um jornal norte-americano e foi demitido “por não ter nenhuma boa ideia”. Hoje, ninguém se lembra do nome de seu ex-chefe. Mas o espírito de inovação rendeu a Disney uma carreira e um negócio absolutamente promissor.

Cada dia mais, bons líderes valorizam colaboradores que tenham – e demonstrem – iniciativa e criatividade, que se arriscam com o objetivo de capitalizar em prol da companhia. Eles aceitam erros e sabem a importância que isso tem no processo de desenvolvimento profissional da equipe. A ação é o que mais importa. Por isso, não gostam de quem fala muito mas faz pouco. Preferem os que fazem, ainda que não alcancem êxito sempre.

Lembro de uma frase de George Bernard Shaw que diz: o homem comum adapta-se ao mundo; e o homem ousado persiste em tentar fazer com que o mundo se adapte a ele. Entretanto, todo progresso depende do homem ousado.

Por isso, reitero: ouse, faça a diferença, crie, arrisque. E, principalmente, não tenha medo de errar.

Em direção ao sucesso

Não há como negar: líderes inventam o futuro e permitem que o sucesso seja alcançado. Certamente, muitas mudanças consideradas importantes nos vários cenários – econômico, político e social – não aconteceriam se não fosse por eles.

Mas o comprometimento de verdadeiros líderes vai além: eles se preocupam também em tornar possível aquilo que idealizam, lançando mão, para isso, de recursos como visão ampliada, eficiência e, principalmente, inspiração.Adotam práticas que, a principio, parecem simples, mas que na realidade são fundamentais para que as metas sejam alcançadas. Eles traduzem visão em ação, muito conscientes de que liderar está diretamente relacionado à pró-atividade, à cooperação e à produtividade.

Se fosse possível fazer essa analogia, eu diria que um bom líder é aquele que estimula o time a adotar o exemplo dos gansos selvagens. Ao contrário dos búfalos, que sempre seguem em bandos e se acostumam a repetir os passos exatos do animal que segue à frente – o que torna esse grupo muito mais vulnerável, os gansos voam juntos, com um revezamento contínuo de posições, consistindo numa excelente oportunidade para que todos experimentem e exerçam a liderança.

Bons líderes agem com dinamismo e estão preocupados em desenvolver o seu grupo. Comunicam diretamente e ampliam a visão do time quanto aos negócios da companhia. Estabelecem direção, certificam-se de que os seus colaboradores estejam em contato direto com os planos, inspiram e permitem que a equipe resolva seus próprios problemas.

Como resultado final, agregam valor de fato e tornam as coisas reais.

Entretanto, para isso, como ponto de partida, devemos nos lembrar de que somos os únicos responsáveis por aquilo que alcançamos na vida – sejam sucessos ou fracassos. Embora muitas vezes não consigamos perceber, tendemos a organizar nossos pensamentos com base em nossas expectativas e deixamos de considerar alternativas.

Alguns anos atrás, o Dr.. David Rosenhahn, professor da Universidade de Stanford, realizou uma experiência a respeito das expectativas. Fez com que oito indivíduos perfeitamente normais fossem a diversos hospitais psiquiátricos. Eles inventaram histórias sobre si mesmos e incorporaram sintomas de doenças mentais lidas em livros. Uma vez internados, contaram a verdade. Explicaram que faziam parte de uma experiência. O que aconteceu? Ninguém nas instituições psiquiátricas acreditou neles! Os oito indivíduos foram diagnosticados pelos médicos como seriamente desequilibrados, de neuróticos a esquizofrênicos. Esses médicos, provavelmente, tinham expectativas inconscientes muito poderosas. Eles “viram” o que esperavam ver.

O que esperamos obter tem muito a ver com a forma como reagimos a novas idéias e pessoas. A expectativa também tem a ver com a maneira como reagem a nós. As pessoas tendem a satisfazer suas expectativas. Em outras palavras, as expectativas são como profecias auto-realizáveis: tendemos a obter o que esperamos.

Pesquisas sobre comportamento organizacional e psicologia industrial têm demonstrado que a cultura de toda empresa é um reflexo da sua própria liderança.

Na cultura de “controle”, os funcionários são vistos como irresponsáveis que necessitam de supervisão constante, que não desempenham suas tarefas com o máximo de seu potencial e que estão sempre prontos a sair cedo do serviço. O resultado é a suspeita e a desconfiança.

A cultura empresarial oposta é a da “liberdade” com responsabilidade, na qual os funcionários são vistos como indivíduos inteligentes, criativos que, com apoio, treinamento e encorajamento, sempre darão o melhor de si mesmos à empresa. Nessa cultura baseada no respeito, os funcionários fazem grandes contribuições para o crescimento da empresa e então registram sucesso.

Mas e o que é sucesso? Sem dúvida, é fruto do talento, criatividade, ousadia e muito esforço. Resumindo em duas palavras, eu diria que é fruto de “inspiração” mas também de muita “transpiração”. Portanto, não fique esperando a inspiração chegar. Vá atrás dela.

Contratando talentos

Quando me perguntam as características principais das pessoas com quem trabalho, não tenho dúvidas para responder: elas assumem riscos, trabalham muito e são éticas. Na minha opinião, essas são as características mais importantes para construir um time vencedor. Por isso, ao contratar, sempre procuro talentos que tenham esses comportamentos. Pessoas vencedoras possuem alguns denominadores em comum. Em especial, o desejo, a vontade de se arriscar. Algo fundamental. Porque, se analisarmos bem, concluiremos que a própria essência do negócio está relacionada ao fato de se assumir riscos calculados no futuro.

Trabalhar com afinco e intensamente, dedicar-se e gostar do que faz são outras qualidades que também valorizo muito em um profissional. Conheci inúmeras pessoas muito inteligentes, super-dotadas e até alguns gênios. Que não necessariamente alcançaram o sucesso.

Em contrapartida, conheci pessoas que mais se destacavam pelo esforço e comprometimento com os planos e metas de trabalho. Como resultado, elas acumulam várias histórias de êxito em suas carreiras. Ao contrário do que muitos acreditam, inteligência não é sinônimo de sucesso. O segredo está em trabalhar duro e manter esforço contínuo.

Há ainda uma outra característica que busco em um colaborador que pretenda integrar minha equipe. Falo da curiosidade, da curiosidade indiscriminada. A maioria das pessoas criativas gostam de fazer coisas diferentes, procuram inovar e fugir da “mesmice” do dia-a-dia. São extremamente curiosas e atentas para tudo na vida. Sem falar que mentes criativas são como reservatórios onde idéias são armazenadas e podem ser resgatadas posteriormente de forma lógica, sensível e disciplinada.

Além de tudo isso, procuro energia, um fator que não deve faltar nunca em um profissional. Liderança pressupõe energia. É preciso energia para motivar as pessoas, para focar nas prioridades e principalmente para obter resultados. Aí está uma característica que agrega grande valor quando esse profissional de dispõe a assumir os riscos de que falei no início.

Uma vez identificadas essas qualidades, é preciso pensar globalmente e considerar que a diversidade é indispensável. Não opte por montar um time com pessoas iguais. Prefira compô-lo com perfis distintos entre si. Assim, colherá novas idéias o tempo todo.

Também evite contratar pessoas “espelho”, isto é, que sejam idênticas a você. Embora seja muito mais fácil gerenciá-las e conviver com elas, essa alternativa minimiza a chance de serem sugeridas inovações. Afinal todos tendem a pensar da mesma forma.

Particularmente, acredito muito no conflito criativo e reitero: pessoas criativas têm mais sucesso em um ambiente provocativo, onde o desafio é estimulado. Não estou falando de confronto direto, no sentido pejorativo, agressivo e hostil. Falo de um conflito saudável, que provoca a busca por novas idéias através de um processo maduro de discussão.

No dia a dia, encorajo meu time a ousar, pensar “fora do quadrado”, ressaltando sempre que não existem penalidades caso eles não obtenham o êxito esperado. De algum modo, até mesmo estimulo que falhem porque acredito que errar ainda é a melhor maneira de se aprender. Parto do princípio de que só erra quem assumiu riscos. E de que nem sempre a falha implica em fracassos, ainda que existam mais fracassos do que sucessos quando as situações são de alto-risco.

Diferenciemos aqui, no entanto, os erros esperados, isto é, aqueles que vêm eventualmente como conseqüência dos riscos assumidos, dos erros irresponsáveis. Porque mesmo sob a ótica mais moderna de gestão, as empresas não toleram pessoas desonestas, descompromissadas, que falham por falta de ética ou de moral.

A longo prazo, assim como ocorre no âmbito pessoal, as companhias mantém com seus colaboradores uma relação sustentada em confiança – que, uma vez perdida, dificilmente consegue ser recuperada.

Diante disso, qual seria então a fórmula ideal para encontrar o perfil mais indicado para compor uma equipe? Além de priorizar as características de que já falamos, aliadas à ousadia, dedicação, diversidade e foco nos resultados, minha sugestão é agir com bom senso e com bom humor. Sempre.

Preocupo-me muito quando vejo um líder sem esse perfil. Porque não acredito em bons líderes que não tenham senso de humor. Lembro sempre meu time: se não estiverem se divertindo com o que fazem, é porque algo está errado. E precisa ser revisto imediatamente.